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CISBRA NEWS

Invasão dos EUA à Venezuela: precedente perigoso em tempos de tensão global

  • Anny Evangelista
  • 3 hours ago
  • 2 min read

Ação militar norte-americana representa ameaça à estabilidade regional, com efeitos econômicos marginais para o Brasil.



Do ponto de vista estritamente econômico, a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e seus possíveis desdobramentos representam impacto mínimo para o Brasil. A Venezuela já vem comprando muito pouco do país há anos, tornando qualquer alteração no fluxo comercial bilateral praticamente irrelevante. Trata-se, afinal, de um país que perdeu sua relevância econômica na América Latina e que, portanto, não configura uma relação comercial problemática para a economia brasileira.


Entretanto, quando analisamos a questão sob a ótica geopolítica e do intervencionismo armamentista norte-americano, o cenário assume contornos bem mais preocupantes. As consequências no campo das tensões diplomáticas e das relações internacionais podem ser profundas e duradouras, extrapolando em muito qualquer cálculo meramente comercial.


Em primeiro lugar, surgem ameaças concretas que passam a pairar sobre toda a América do Sul, o que por si só já constitui um fator de instabilidade regional. O Brasil, evidentemente, posicionou-se de forma contrária a esse tipo de intervenção, considerando-a inadmissível segundo os princípios do direito internacional. Embora esse episódio possa gerar algum desgaste nas relações com os Estados Unidos, não se acredita que tal impacto, seja diplomático ou econômico, venha a ser significativo no curto prazo.


O cerne da questão, contudo, reside em outro aspecto: ações dessa natureza podem estabelecer precedentes perigosos e desencadear movimentos semelhantes em outras regiões do globo. Como seria interpretada, por exemplo, a atuação da Rússia sobre a Ucrânia diante desse novo contexto? Ou ainda, qual seria a reação internacional caso a China decidisse intervir militarmente em Taiwan? Abrem-se, dessa forma, precedentes que eram considerados inaceitáveis desde o fim da Segunda Guerra Mundial e que colocam em risco toda a arquitetura da ordem internacional construída nas últimas décadas.


Esse é, sem dúvida, um problema de grande magnitude, cujas consequências reais provavelmente só poderão ser dimensionadas com maior clareza ao longo do tempo, à medida que outros atores globais avaliem e eventualmente respondam a esse novo cenário.


Por fim, há ainda um possível impacto indireto relacionado a uma eventual retomada do nível de atividade econômica na Venezuela. Caso isso ocorra, é provável que haja o retorno de parte significativa dos venezuelanos que deixaram seu país de origem. Atualmente, estima-se que cerca de 700 mil venezuelanos estejam em território brasileiro, concentrados principalmente nas regiões de fronteira. O retorno dessa população poderia gerar alguma redução no consumo interno nessas áreas. Ainda assim, embora essas pessoas contribuam economicamente de alguma forma para as economias locais, esse efeito não seria relevante para o conjunto da economia brasileira.a.


Nelson Rocha

Presidente da CAERJ e Diretor da CISBRA.

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