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CISBRA NEWS

O papel das Câmaras em tempos de tarifas e incertezas

há 1 dia
3 min de leitura


O comércio exterior brasileiro voltou a provar, nos últimos meses, que regras podem mudar da noite para o dia. Em julho de 2026, entrou em vigor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, decisão justificada por Washington como resposta a supostas práticas comerciais desleais. A nova tarifa americana direcionada ao Brasil entrou em vigor enquanto outros parceiros comerciais de Washington se preparavam para uma nova rodada de medidas tarifárias, medida que veio na esteira de uma investigação dos Estados Unidos que acusou o país de práticas comerciais desleais. Para empresas que haviam planejado toda a sua operação em torno de um único mercado, o impacto foi imediato, e serviu como lembrete de que segurança jurídica internacional não é garantida, é construída.

Os números confirmam a dimensão do problema. Entre agosto e novembro de 2025, o Brasil já havia registrado queda de US$ 1,5 bilhão em exportações para os Estados Unidos por conta das tarifas, e o mais preocupante: em 15 dos 21 setores analisados, as empresas simplesmente não conseguiram redirecionar sua produção para outros mercados houve redução de exportações do Brasil para os EUA de US$ 1,5 bilhão em produtos, entre agosto e novembro de 2025, e em 15 de 21 setores analisados, as empresas não conseguiram redirecionar os produtos que iam para os EUA rumo a outros mercados, com perdas concentradas em setores como mel, pescados, plástico, borracha, madeira, metais e material de transporte. Não é falta de qualidade do produto brasileiro, é falta de conexões, de conhecimento regulatório e de presença institucional em mercados alternativos.

Diante desse cenário, o governo brasileiro tem tentado amenizar o impacto. Em agosto de 2026, a Apex Brasil anunciou um pacote de R$ 210 milhões para atender 5,3 mil empresas afetadas pelo tarifaço ao longo dos próximos 12 meses, com apoio financeiro direto para que essas companhias possam se preparar para exportar a novos mercados. O programa incluirá apoio financeiro direto para que empresas possam se preparar para exportar a novos mercados, como na obtenção de certificações exigidas por determinados países, trabalhando com 36 mercados considerados prioritários para a diversificação. É um reconhecimento importante de que, mais do que socorro emergencial, o que as empresas exportadoras precisam é de estrutura para se reposicionar.

É exatamente nesse ponto que câmaras de comércio se tornam mais relevantes do que nunca. Não como um serviço burocrático de bastidores, mas como uma peça ativa de proteção: são elas que mantêm redes de contatos internacionais já validados, que conhecem as exigências específicas de cada mercado, que emitem certificações reconhecidas e que ajudam a construir, com antecedência, as pontes que uma empresa vai precisar quando o cenário mudar novamente. Iniciativas como a da Apex mostram que o Estado reconhece essa necessidade; câmaras de comércio, por sua vez, são quem já está no terreno, todos os dias, fazendo esse trabalho de conexão acontecer.

O curioso é que, apesar de toda essa turbulência, o Brasil segue crescendo em comércio exterior: a projeção para 2026 aponta um superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, superando o resultado já expressivo de 2025O Brasil tem a expectativa de encerrar o ano de 2026 com um superávit comercial expressivo, situado entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, desempenho superior ao observado em 2025, quando a balança comercial brasileira registrou um saldo positivo de US$ 68,3 bilhões. Isso não acontece por acaso: acontece porque, mesmo com um parceiro histórico impondo barreiras, o país tem conseguido se apoiar em outras relações, como a China, União Europeia, América Latina, construídas ao longo de décadas.

Esse é o ensinamento mais importante do momento: a resiliência de uma empresa exportadora não está em depender de um único mercado forte, mas em ter uma rede diversificada de relações, sejam comerciais, institucionais e/ou humanas, que sustente o negócio quando o terreno muda. É esse o papel que câmaras de comércio como a CISBRA desempenham há mais de cem anos: não prever o futuro, mas garantir que, seja qual for o cenário, as empresas que confiam nelas nunca fiquem sozinhas.

 
 

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