Frutas brasileiras faturam mais no 3º trimestre, mas exportam menos

As exportações brasileiras de frutas somaram US$ 354,2 milhões entre julho e setembro de 2026, alta de 8% sobre os US$ 328,1 milhões do mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). O resultado chama atenção porque o crescimento da receita veio acompanhado de uma queda no volume embarcado: de 290,6 mil para 268,8 mil toneladas, retração de 7,5%. Em outras palavras, o setor vendeu menos fruta, mas por um valor maior.
A explicação está no preço médio, que subiu cerca de 16,8% e chegou a US$ 1.318 por tonelada. Os dados divulgados não detalham o peso de cada fator por trás dessa alta, seja o preço praticado, a mudança na composição das frutas exportadas ou os mercados de destino. Por isso, o número deve ser lido com cautela. Receita maior com volume menor indica um trimestre de melhor valor por tonelada, mas não necessariamente de maior atividade exportadora.
A manga foi o principal destaque em valor. A receita da fruta subiu 35%, de US$ 97,3 milhões para US$ 131,4 milhões, e o volume cresceu 14,1%, para 95 mil toneladas. A uva também avançou, com receita 17,4% maior, em US$ 19,7 milhões, e volume 6,3% acima, em 7,3 mil toneladas. O abacate teve a maior alta percentual entre as frutas citadas: a receita saltou 81,8%, para US$ 12,6 milhões, e o volume mais que dobrou, com crescimento de 140,9%, para 9,2 mil toneladas.
O outro lado do trimestre aparece em frutas que perderam espaço. A banana teve a maior retração, com queda de 55,5% na receita e de 59% no volume. O melão recuou 22,5% em receita e 25,3% em volume, a melancia caiu 20,8% e 26,1%, e o limão teve queda de 8,7% e 18,3%. Os dados divulgados não trazem os valores em dólar dessas frutas nem explicam as causas das quedas, o que impede dizer se o movimento é pontual ou o início de uma tendência.
Para quem atua no comércio exterior, o trimestre mostra que o desempenho de uma pauta exportadora raramente é uniforme. Enquanto manga, uva e abacate ganharam espaço, outras frutas perderam, e a média esconde essas diferenças. Também vale lembrar que os dados cobrem apenas três meses e que não foram divulgados os países de destino nem a distribuição por estado, informações importantes para entender onde está o crescimento e quais mercados sustentam os preços mais altos.
A CISBRA acompanha de perto o movimento das exportações brasileiras, pois em um setor em que o preço por tonelada pode compensar a queda no volume, informação e planejamento fazem diferença.
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